terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Os temas do Sínodo e Cavaco pela Caminhada (o fixe)

Em breve numa declaração de IRS perto de si...
Aproxima-se o sínodo sobre a Família e ao longo destes dias publicaremos várias reportagens sobre o assunto. Hoje, fique a par dos principais temas que irão ser discutidos no encontro dos bispos.

Mas nem só de bispos se faz este encontro! Saiba o que faz um casal brasileiro no Sínodo para a Família!

E por falar em Família, D. Antonino, bispo de Portalegre e Castelo Branco, vê com bons olhos a inclusão de “avós” a cargo das famílias na declaração do IRS.

Por fim, o Papa Francisco chamou a Roma os núncios apostólicos dos países do Médio Oriente, para falar sobre a ameaça apresentada pelo Estado Islâmico.

E não deixem de ver o vídeo de Tiago Cavaco, de apoio à Caminhada pela Vida! Ele considera que há causas que exigem que saíamos da nossa “zona de conforto”. E você? Está pronto a largar o conforto da sua “vidinha” para caminhar em defesa da VIDA?

segunda-feira, 29 de Setembro de 2014

Portugal v. Estado Islâmico

Antes de mais nada, faltam poucos dias para a Caminhada Pela Vida. Esta semana começaram a surgir vídeos de apoio de figuras da sociedade civil. Fernando Soares Loja, da Comissão da Liberdade Religiosa e Eugénio da Fonseca, da Cáritas querem-no lá. Eu também. Precisa de mais para o convencer? Mais terá, nos próximos dias.

Quem também deu o seu apoio foi a organizadora da Marcha Pela Vida, nos EUA, o maior exemplo deste tipo de iniciativa. Há jovens nas ruas a distribuir panfletos e pessoas a preparar faixas e cartazes. Não fique em casa!

Portugal anunciou que vai participar na coligação contra o Estado Islâmico. Independentemente da insignificância material do apoio, pelo menos não ficamos calados!

Em Hong Kong houve manifestações pela democracia que se tornaram violentas quando as autoridades entraram em acção. Ao lado dos manifestantes estava um octogenário que é também arcebispo emérito e cardeal e que diz ao regime que não quer ser escravo.

Do fim-de-semana fica o encontro do Papa com avós e outras pessoas de terceira idade, incluindo o Papa emérito Bento XVI.

As IPSS ligadas à saúde estão em Fátima e sugerem fornecer médicos de família aos cidadãos das zonas mais “deprimidas”, nas palavras do padre Lino Maia.

E, por fim, o director da Sala de Imprensa da Santa Sé diz que a demissão do bispo no Paraguai não é um caso de perseguição ideológica, nem se deve principalmente ao facto de ele ter sido acusado de encobrir e promover um padre acusado de abusos sexuais.

sexta-feira, 26 de Setembro de 2014

Mais um padre vítima de ébola

Padre García Viejo, vítima de Ébola
Morreu mais um sacerdote espanhol, vítima de ébola. Mais um que pagou o maior preço pelo serviço aos pobres e necessitados. “Tudo o que fizeste ao mais pequeno dos meus irmãos…”



A semana passada entrevistei a secretária de Estado da família e da juventude da Hungria, sobre as medidas e políticas familiares de um governo que conseguiu aumentar, em pouco tempo, a taxa de natalidade. Podem ler aqui a transcrição completa da conversa.

Por fim, chamo a vossa atenção para a realização da seguinte conferência: “O Sínodo na Igreja – perspectivas histórica e teológica”, a realizar em Lisboa (Auditório da Igreja do Sagrado Coração de Jesus), a 26 de Setembro, e em Torres Vedras (Auditório do Centro Pastoral), a 3 de Outubro, das 21h30 às 23h00, com a intervenção dos Professores Pe. David Barbosa e Borges de Pinho (UCP), que deve ser do maior interesse de quem pretende colaborar com o processo do sínodo diocesano.

quinta-feira, 25 de Setembro de 2014

Clima de Guerra, de Espanha ao Paraguai

Num gesto raro, o Papa Francisco “demitiu” hoje um bispo do Paraguai. É um caso que promete dar que falar e que envolve tanto a questão de abusos sexuais como a “guerra” entre liberais e conservadores.

Em Espanha também há guerra, mas os protagonistas são outros. De um lado o movimento pró-vida e do outro o PP de Mariano Rajoy, que traiu os seus compromissos eleitorais e abandonou a reforma da lei do aborto.

Este facto só prova que esta é uma batalha que não pode ser deixada apenas nas mãos dos políticos. Dia 4 estaremos na rua para, em ambiente de festa, recordar que a luta pela vida não é um combate político mas social e que não queremos só mudar leis, queremos tocar corações e mudar mentalidades. NÃO FIQUE EM CASA! Aqui está uma imagem que pode adoptar como foto de perfil no Facebook e outras redes sociais. Eu já o fiz.


Ontem escrevi que o Estado Islâmico tinha ameaçado decapitar um refém francês. Mal o fiz surgiu a notícia de que ele já foi morto. Que descanse em paz. Entretanto hoje temos informação sobre como os militantes do Estado Islâmico treinam crianças, obrigando-as a matar ou torturar um preso para se “formarem”.



Termino com um aviso. Quem estiver interessado em fazer uma pós-graduação sobre gestão e administração de organizações religiosas, pode encontrar aqui todas as informações necessárias.

Hungary boosting birthrate with pro-family policies

Kormany.hu
Full transcript, in the original English, of interview with Katalin Novak, Hungarian minister of State for Families and Youth. News story, in Portuguese,here.

Transcrição integral da entrevista com Katalin Novak, secretária de Estado da Família e da Juventude da Hungria. Reportagemaqui.

You are in Portugal to receive an award; can you tell us exactly what this is about?
The award is for the Hungarian government, because we run a programme which is called the Elizabeth programme, which is a social tourism initiative.

From a non-state budget, there is a social tourism programme for 1% of the Hungarian population. This means that children, people, families, elderly people from underprivileged social situations can go for a low fee to Lake Balaton for a summer camp, at three euros a week.

This is a social tourism system which was awarded now by the European Large Families Association, which meets for a congress every second year, and are currently meeting in Cascais.

This is one policy, are there more examples of family friendly policies in Hungary?
Yes, of course. One important example is the creation of this secretariat of State, which is only responsible for families and youth. We are dedicated only to families and we are currently facing a demographic situation which is similar to the one in Portugal. We are fighting these challenges, promoting family values and strengthening families, through measures which give more income to families, or leave more income in their pockets, on one hand, and on the other hand we are trying to change people's mind-sets, towards really appreciating the values of the classical family models.

Leaving more money in their pockets, does this mean tax cuts for people with large families?
Exactly. There is a new tax reduction system. After the first and second child it is more moderate, but after the third it is quite a large tax reduction.

There are also more measures concerning the family allowance system. We try to make it easier for mothers to decide if they want to stay at home with their children, because in Hungary maternity leave is quite long, up to three years. But for our economy it is also positive if mothers who are about to go back to work don't have to choose between staying at home forever with the children or going back to work. Before they didn't get child care allowance if they went back to work, but now if they do they will still get all the benefits which they deserve.

It is still early, of course, but have you begun noticing an increase in the fertility rate?
Yes. The population of Hungary is about the same as Portugal [+/- 10 million], so you will understand the numbers. For example, just these measures I have mentioned influenced 18,2 thousand mothers. For them we could create a better financial situation, and for their families also. On the other hand the demographic figures are quite positive. In the first seven months of the year, the increase of the number of births is now 3.1%, in relation to a year ago. This is a good sign.

Of course when you talk about demography you have to think long term, you have to be cautious, but I see very good signs, all the measures our government is implementing in terms of family and demography are having their effect on the situation of families and demographic rates.

You met with representatives of the Portuguese Government, have you given them any advice regarding these issues?
I met with the minister of solidarity issues, so we have common themes, we had a very fruitful meeting and we see that we face, if not the same challenges, very similar challenges concerning demography, pension system, family allowance system, and he just told me about all the new measures the Government has just accepted, or is about to accept, they seem very interesting and I think we will have a fruitful exchange of experience. We also have a new ambassador here in Portugal so she is going to be very active in bringing the two countries closer to each other. 

Lake Balaton, Hungary
Did you detect interest in learning from the Hungarian experience?
Yes, we had mutual interest towards each other’s experiences.

This award seems to be public recognition of a serious change in policy regarding family, moral and social issues, by your government, is this so?
I think it is important that we don't only criticize each other, or if we talk about the EU level also, there is a lot of criticism concerning the steps any government makes. I think it is important to really focus on the real activity of Governments and appreciate programmes and activities which are positive or which have positive results, or result in positive changes.

I think also Portugal and Hungary, and the European Association of Large Families share common values, European values and Christian values. I think that for us, for the Hungarian government, it is a big recognition and we very much appreciate that there is a real interest from the Portuguese Government and this association.

Interestingly you mention European values, but many people criticize the European Union and precisely because they are not emphasizing those values, on the contrary. Do you think the European institutions, mainly the ones which have criticised Hungary so much, are they drifting away from those values?
I wouldn't say that. I say that we share common values, but we also have values which are specific for each and every country. It is very important that we recognise the common European values and that we can be free to have the added values which we share, or that we as Hungarians or as Portuguese, consider important. In the meantime we have to recognise and never question the common values we share, but also to have the liberty of emphasizing the values which are important to us. 

But the new constitution was severely criticized when it was first drafted, with people accusing Hungary of limiting democracy and so on. Were these criticisms justified?
Not at all.

We all heard these criticisms, but there was a democratic vote and the Government was elected by a two third majority. If the voters are voting for the continuation of the work we did for four years, that underlines the fact that we are on the right path.

On the other hand I think there were all these disputes and all this criticism, but if we had these debates in the European parliament, the Commission, the Court of Justice and so on, we could defend our values and our contributions, and we never failed in that.

Others defended Hungary saying that the criticisms were motivated by the fact that Hungary was passing laws defending life from conception, defending marriage when many countries are going in the opposite direction. Could that be the main reason behind the criticism?
We will never know if it is the main reason or not, but I think it is one of the reasons, yes. Because we are very open in stating the values which we consider important and which our voters, the Hungarian people, also consider important. For example, in the Hungarian constitution we included the words Christianity and God and there was a big debate and we always said that in our national anthem that is the first sentence and it has always been that way.

The tolerance which we always talk about would also be very much appreciated from the other side. There are these debates on values which are also behind this, and there are also economic interests which may have been hurt thanks to some economic measures which we introduced in the last four years, and these cannot always be separated from the debates going in Europe concerning Hungary at the moment.

quarta-feira, 24 de Setembro de 2014

Arcebispo preso, Papa na Albânia, Guerra ao Estado Islâmico

Criança espera Papa na Albânia
O que se está a passar no Vaticano nestes dias é da maior importância. Um arcebispo, ex-núncio, foi detido e vai ser julgado por abusos sexuais de menores enquanto estava ao serviço da Santa Sé, na República Dominicana. Um caso a seguir com atenção e que ainda dará muito que falar…

Mas o que tem dado mesmo muito que falar nas últimas semanas são as situações de terrorismo e o combate ao Estado Islâmico, na Síria e no Iraque. Os EUA, juntamente com aliados árabes, já começaram a atacar em força e o Estado Islâmico responde com mais propaganda, com avanços no Curdistão Sírio e com ameaças a mais um refém, neste caso francês.

Isto numa altura em que se soube que a fundação Ajuda á Igreja que Sofre foi nomeada para o prémio Sakharov, por parte da União Europeia, precisamente pelo trabalho feito para apoiar as vítimas do Estado Islâmico e também dias depois de o site da Comunidade Islâmica de Lisboa ter sido atacado, tendo sido colocada uma mensagem de apoio á Jihad.

Mais do que nunca existe tensão entre o mundo cristão e o mundo muçulmano e foi por isso mesmo que Francisco decidiu viajar para a Albânia no sábado, onde passou um só dia, mas um dia muito cheio!

O Papa disse sem meias-palavras que matar em nome de Deus é um sacrilégio e recordou os albaneses que nem todas as ditaduras são políticas. Pelo meio ainda chorou ao ouvir o testemunho de um padre albanês que foi torturado pelo antigo regime comunista.

Tempo ainda para dizer que prossegue, apesar de tudo, o diálogo entre o Vaticano e os tradicionalistas da Sociedade de São Pio X, conhecidos como Lefebvrianos, continua.

E por fim, não deixem de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing, onde se pergunta o que é que Jesus faria em relação ao Estado Islâmico. A autora não sabe, mas calcula que qualquer acção terminaria com uma segunda crucificação.

O Estado Islâmico e as Lições do Activismo Pró-Vida

por Ellen Wilson Fielding
Aos sábados de manhã costumo passar cerca de uma hora à porta da clínica de aborto mais próxima, em oração e a fazer aconselhamento. Basicamente isso significa que quando os clientes se aproximam da clínica eu pergunto-lhes se querem os contactos de locais ou instituições que lhes podem ajudar a elas e aos seus bebés.

Nove em cada dez pessoas que passam pelas portas desviam os olhos e nem respondem. De vez em quando alguém leva um folheto. Muito raramente conseguimos ter uma conversa como deve ser.

Esta aparente falta de sucesso é comum a todos os voluntários que vão regularmente à clínica. Por aqui, qualquer resposta positiva é rara, quanto mais uma vida salva. Por isso muitas vezes a sensação é de que todas as nossas orações são desperdiçadas. Claro que algumas das pessoas que passam naquela rua movimentada são alertadas para o que se passa no edifício e alguns dos que lá entram poderão não voltar uma segunda vez.

E depois, de vez em quando, um dos trabalhadores despede-se e podemos esperar ter tido alguma coisa a ver com o assunto. Ainda assim, às vezes imagino as torrentes de graças a descer sobre este local, fruto da oração de tantas pessoas ao longo dos anos e fico frustrada. Onde é que está o vento do Pentecostes? O fogo descido do Céu? Se Jesus se materializasse na Rua Greenbelt um destes sábados de manhã, como tudo seria diferente, penso.

Bom, sim e não. Claro que Jesus exerceu um enorme poder durante os seus anos na terra: a curar os doentes, a ressuscitar os mortos, a acalmar as tempestades, a exorcizar demónios, a multiplicar pães e peixes. E mesmo a um nível mais pessoal, conseguiu atrair Mateus da mesa dos cobradores de impostos e quebrar os preconceitos da samaritana.

Mas não tinha o poder – porque Deus não concedeu a si próprio esse poder – de mudar os corações e as almas das pessoas contra a sua vontade. Por exemplo, sabemos dos Evangelhos que Jesus não conquistou o Jovem Rico, nem conseguiu evitar que Judas o traísse, nem convencer a maior parte do Povo Escolhido de que era o Messias.

Não podia obrigar ninguém contra a sua vontade porque Deus deu a todos os homens e a todas as mulheres livre arbítrio. Se Cristo estivesse à porta da nossa clínica de aborto local num sábado de manhã, imagino que teria muito mais sucesso do que nós. Mas ainda assim muitos ignorariam certamente ou rejeitariam o que ele teria para dizer. Deus – até mesmo Deus! – provavelmente não conseguiria convencer a maioria dos que trabalham na clínica, ou que procuram os seus serviços, a escolher a vida.

Recentemente tenho estado a tentar relacionar tudo isto com o que se está a passar no Médio Oriente, reflectindo particularmente sobre a tentativa, em grande parte bem-sucedida, de expulsar os cristãos das terras que os seus antepassados habitavam desde o tempo de Jesus. Adorava poder ter certezas sobre o que o nosso Governo, ou outros governos ou organizações, deviam fazer para causar o menos mal e alcançar o maior bem. Peso os argumentos para as várias soluções militares, semi-militares, económicas e humanitárias. Entre estas incluo a contribuição dos fiéis individuais: oração, jejum e esmola.


Neste momento hesito sobre a melhor acção a tomar pelos Estados Unidos, sobretudo se e quando as nossas forças e parceiros de coligação conseguirem atingir a primeira fase de neutralizar a capacidade do Estado Islâmico de controlar territórios e aterrorizar os seus habitantes. A verdade é que uma das razões da minha incerteza sobre o que “resultaria” no Iraque e na região é a falta de claridade sobre o que “resultar” significa, precisamente, neste contexto.

Procuramos alcançar uma medida relativa de paz e ordem enquanto uma força militar controla a situação e serve de apoio, por tempo indefinido, a um Governo respeitador dos direitos humanos? A nossa definição do que “funciona” reconhece a legitimidade dos meios a usar, o facto de alguns membros da coligação, a dada altura, decidirem lidar com o assunto à sua maneira e a possibilidade de quaisquer cristãos que sobrevivam no Médio Oriente passarem a ser ainda mais demonizados do que já eram por associação aos odiados ocidentais? Ou será que esta última preocupação já foi consumada pelas decisões do pós-11 de Setembro?

O que é que Jesus faria? Não sei até que ponto isto interessa, se tudo o que procuramos saber é o que Ele faria e não a vasta escolha de opções com as quais poderia concordar. Ao longo da história houve santos que discordaram muito sobre como abordar as crises sociais e políticas do seu tempo, em parte porque costuma haver mais do que uma maneira legítima de tentar seguir a Vontade de Deus e avançar os seus propósitos.

Algumas destas opções poderiam eventualmente conduzir a aquilo que consideraríamos um sucesso ou um fracasso. E é impossível saber com certeza aquilo que Deus pretende com o resultado de cada decisão, embora saibamos que “todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus” (Rom. 8:28). Seja o que for que isso quer dizer, significa pelo menos que a aparência de sucesso não pode ser o único critério para quem toma a decisão.

Quanto ao que Jesus faria neste caso em particular, não sei, mas fosse o que fosse, aposto que levaria rapidamente a uma segunda crucificação.


Ellen Wilson Fielding é editora-chefe da Human Life Review e vive em Maryland.

(Publicado pela primeira vez na quinta-feira, 18 de Setembo de 2014 em The Catholic Thing)

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The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

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